A síndrome do coração partido existe e tem nome médico: síndrome de takotsubo. Uma emoção forte, como um luto ou um grande susto, pode enfraquecer o coração por algumas semanas. Cerca de 90% dos casos acontecem em mulheres.
Na hora, o quadro lembra um infarto, com dor no peito e falta de ar. Quem sente o peito apertar depois de uma perda ou de um susto deve procurar atendimento, porque só os exames separam as duas situações.
O que é a síndrome do coração partido
Takotsubo é a palavra japonesa para armadilha de polvo. O nome vem do formato que o ventrículo esquerdo toma no fim de cada batimento durante a crise, com a ponta dilatada. A condição também aparece na literatura como cardiomiopatia de estresse e síndrome do balonamento apical.
Na síndrome, parte do músculo do coração passa a se contrair com menos força, de forma temporária. A teoria mais aceita culpa o excesso de adrenalina e de substâncias parecidas, liberadas no estresse. Os pesquisadores admitem que ela não explica todos os casos.
Um infarto típico nasce de uma artéria entupida, e a área sem sangue segue o território dessa artéria. Na síndrome, a área que perde força costuma ir além do território de uma única artéria. Em 10% a 29% dos pacientes existe também doença nas coronárias, e isso não afasta o diagnóstico.
Por que a síndrome do coração partido atinge tantas mulheres
O consenso internacional publicado em 2018 estima que cerca de 90% dos pacientes são mulheres, com idade média entre 67 e 70 anos. Depois dos 55 anos, o risco da mulher é cinco vezes maior que o das mais jovens e dez vezes maior que o dos homens.
Ninguém sabe ao certo o motivo. A hipótese mais citada aponta a queda do estrogênio depois da menopausa. Esse hormônio ajuda a controlar o sistema nervoso simpático e o fluxo de sangue nos vasos menores do coração. O texto sobre menopausa e coração mostra o que mais muda nessa fase.
Nas mulheres, o gatilho emocional é mais frequente. Nos homens, é mais frequente o gatilho físico, como uma infecção grave ou uma cirurgia. Os homens também têm resultados piores na internação, com até três vezes mais risco de morte e de eventos cardíacos graves.
O que pode desencadear a síndrome
O consenso lista gatilhos emocionais variados. Entre eles estão a morte de um familiar, de um amigo ou de um animal de estimação, brigas e separações, medo, pânico e raiva. Problemas de dinheiro ou de emprego e situações de vergonha também entram na lista. Até emoções positivas contam, como uma festa surpresa ou um prêmio, e os autores chamam esse grupo de síndrome do coração feliz.
Os gatilhos físicos também contam: crise de asma, infecção grave, cirurgia, dor intensa e tratamentos como a quimioterapia. Para quem trata um câncer de mama, o texto sobre câncer de mama e coração explica outros cuidados com o coração.
No conjunto, os gatilhos físicos são mais comuns que os emocionais. Em cerca de um terço dos casos, ninguém identifica gatilho nenhum.
Sintomas: como a síndrome se parece com um infarto
Os sintomas mais comuns são dor no peito, falta de ar e desmaio, e à primeira vista nada os separa de um infarto. O eletrocardiograma e o exame de sangue também podem vir alterados nas duas situações. Quando o gatilho foi emocional, a dor no peito e a palpitação aparecem com mais frequência.
O infarto também foge do roteiro clássico em muitas mulheres, como mostra o texto sobre dor no peito na mulher. O infarto sem dor típica aparece no texto sobre infarto silencioso sem dor no peito.
Dor ou aperto no peito por 10 minutos ou mais pede atendimento de emergência. O mesmo vale para dor com falta de ar, suor frio ou desmaio. Ligue para o SAMU, no 192, e conte o que aconteceu antes dos sintomas.
Como o médico confirma e quanto tempo o coração leva para se recuperar
O padrão de referência é o cateterismo com ventriculografia, que mostra as artérias e o formato do ventrículo. O ecocardiograma também mostra a região que perdeu força e, semanas depois, confirma a recuperação. A contração do ventrículo costuma voltar ao normal em 4 a 8 semanas.
A inversão da onda T no eletrocardiograma pode durar meses depois que o músculo se recupera. O texto sobre o que cada exame cardiológico mostra explica como o eletrocardiograma e o ecocardiograma se complementam.
A síndrome do coração partido é benigna?
Por anos, os médicos viram a síndrome como benigna, porque o coração costuma se recuperar. Os registros mais recentes mostram um quadro mais sério. Cerca de uma em cada cinco pessoas tem uma complicação grave durante a internação, entre elas arritmias, edema de pulmão e choque cardiogênico. As taxas de choque e de morte se aproximam das de pacientes com infarto tratados pelas diretrizes.
Nas formas mais graves, o coração perde tanta força que surge um quadro de insuficiência cardíaca aguda. O texto sobre insuficiência cardíaca ou cansaço da idade descreve os sinais desse quadro.
Depois da alta, cerca de 5% dos pacientes têm um segundo episódio, e a recorrência fica em 1,8% por paciente-ano. Uma revisão publicada na Circulation em 2022 relata que muitos pacientes continuam com sintomas mesmo depois que a fração de ejeção volta ao normal.
Em números absolutos, a síndrome é rara. Entre os pacientes com suspeita de infarto com supra de ST, ela responde por 1% a 3% do total e por 5% a 6% das mulheres.
Depois do episódio: acompanhamento e cuidado emocional
Quem teve a síndrome precisa de acompanhamento cardiológico, com ecocardiograma para conferir a recuperação e atenção aos sintomas. Ansiedade e depressão são comuns entre esses pacientes. O consenso sugere que uma reabilitação que una cardiologia e apoio psicológico pode ajudar. Segundo a revisão da Circulation de 2022, ainda não existe intervenção com evidência para evitar um novo episódio.
Dr. Leandro Serafim: acompanhamento do coração da mulher no Itaigara
O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.
Quem já passou por um episódio, ou quer entender o próprio risco depois da menopausa, pode fazer o acompanhamento na consulta. Quando houver indicação, o próprio Dr. Leandro realiza, no mesmo local, o ecocardiograma que confere a recuperação do músculo e o eletrocardiograma. Dor no peito em andamento pede o pronto-socorro.
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Dúvidas frequentes sobre a síndrome do coração partido
A síndrome do coração partido é a mesma coisa que infarto? Os sintomas e os primeiros exames se parecem, mas a causa costuma ser outra. No infarto típico, uma artéria entupida corta o sangue de uma parte do coração. Na síndrome, parte do músculo perde força temporariamente, em geral depois de um gatilho emocional ou físico. Só o cateterismo e o ecocardiograma separam as duas condições.
A síndrome do coração partido tem cura? Na maioria dos pacientes, a contração do coração volta ao normal em 4 a 8 semanas. A síndrome pode voltar, o que acontece em cerca de 5% dos casos, e alguns pacientes seguem com sintomas por mais tempo.
A síndrome do coração partido mata? Pode matar, apesar de rara. Cerca de uma em cada cinco pessoas tem complicação grave na internação, e as taxas de morte se aproximam das do infarto. A maioria dos pacientes sobrevive, e o maior registro internacional estima a mortalidade em 5,6% por paciente-ano.
Quais são os sintomas da síndrome do coração partido? Os mais comuns são dor no peito, falta de ar e desmaio. A palpitação aparece mais quando o gatilho foi emocional. Como os sintomas lembram os do infarto, eles pedem atendimento de emergência.
Quem tem mais risco de síndrome do coração partido? Mulheres com mais de 55 anos, que têm risco cinco vezes maior que as mais jovens e dez vezes maior que os homens. Ansiedade e depressão também são mais frequentes entre os pacientes.
O que significa takotsubo? É o nome japonês da síndrome e quer dizer armadilha de polvo, por causa do formato do ventrículo esquerdo durante a crise.







