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Dr. Leandro Serafim

Retatrutida Faz Mal ao Coração? O Que os Vídeos de Emagrecimento Não Mostram

Nas redes sociais, circulam vídeos de pessoas mostrando perdas de peso enormes com a retatrutida, uma caneta que ganhou fama de ser a mais potente já testada. O que quase nunca aparece nesses vídeos é que o remédio ainda está em teste, não é aprovado em nenhum país e levanta dúvidas sobre o coração.

A relação entre retatrutida e coração pede calma. Existem dados que tranquilizam, dados incompletos e um risco bem claro, que é usar o produto por conta própria.

O que é a retatrutida e por que tanta gente fala dela

A retatrutida é um medicamento em desenvolvimento da Eli Lilly, a mesma fabricante da tirzepatida, que age ao mesmo tempo em três receptores de hormônios ligados ao apetite e ao metabolismo, chamados GLP-1, GIP e glucagon.

No estudo de fase 2 publicado no New England Journal of Medicine, com 338 adultos acompanhados por 48 semanas, a dose mais alta levou a uma perda média de 24,2% do peso, contra 2,1% no grupo placebo. Em estudos de fase 3 divulgados pela fabricante em julho de 2026, a perda chegou a 22,6% em 80 semanas em adultos com obesidade grave e doença cardiovascular.

Mesmo com esses resultados, o medicamento ainda não foi aprovado. A fabricante informou que pretende pedir o registro nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027.

Retatrutida e coração: o que já se sabe

Os batimentos aceleram. No estudo de fase 2, o aumento dos batimentos cardíacos foi proporcional à dose, chegou ao pico por volta da 24ª semana e depois diminuiu. Em um estudo de pessoas que usaram o produto fora de pesquisa, os batimentos subiram 4,3 e 2,5 por minuto, em média, em dois grupos, após três meses. São alguns batimentos a mais, mas qualquer aumento merece atenção em quem já tem arritmia ou doença do coração.

Os eventos graves não mostraram diferença clara. No estudo de fase 3 com 1.949 adultos com obesidade grave e doença cardiovascular já estabelecida, infartos, AVCs e outros eventos cardiovasculares graves foram menos frequentes do que o esperado nos dois grupos, com retatrutida e com placebo. Em uma forma de contar os eventos, foram 44 com o remédio e 52 com placebo; em outra, 27 e 23. Os números são pequenos demais para dizer que o remédio protege ou que prejudica, e o estudo não foi desenhado para responder isso.

Quem usa fora de estudo aparece com mais sintomas. Uma análise de prontuários de 983 pessoas com menção à retatrutida, nos Estados Unidos, mostrou que 71% das que tiveram a origem do produto identificada obtiveram a substância fora de um estudo clínico. Esse grupo teve mais sintomas cardiovasculares registrados do que usuários de remédios aprovados da mesma classe e perdeu menos peso. Os eventos graves, como infarto e AVC, não tiveram diferença estatisticamente clara. É um estudo preliminar, que ainda não foi revisado por outros cientistas, e os próprios autores dizem que não conseguem saber o que havia dentro dos produtos nem a dose usada.

Por que usar fora de estudo é o ponto mais preocupante

Em 24 de julho de 2026, a Anvisa alertou que a retatrutida é experimental, não está aprovada em nenhum lugar do mundo e que a fabricante ainda não pediu registro à agência nem a nenhuma outra autoridade. Segundo o alerta, o produto é vendido por sites irregulares e já foi apreendido nas fronteiras como contrabando.

A fiscalização continua. Segundo reportagens, em 14 de outubro de 2026 a Anvisa determinou a apreensão de produtos sem registro vendidos em sites, entre eles lotes de tirzepatida e de retatrutida, e proibiu sua fabricação, importação, distribuição, propaganda e uso.

A Anvisa lista os riscos de produtos sem registro: efeitos ainda desconhecidos, ausência de prova de eficácia, incerteza sobre a dose segura, falhas de fabricação, risco de contaminação, variação entre lotes e problemas de armazenamento. Sem bula, quem usa também não tem como saber a dose adequada. Em resumo, não há garantia de que o produto contenha o que o rótulo diz.

O que fazer se já usou ou está pensando em usar

Contar ao médico, sem receio de julgamento, é o primeiro passo, porque ele precisa saber para avaliar o coração. Alguns sinais merecem avaliação: palpitação, coração acelerado em repouso, com mais de 100 batimentos por minuto, tontura, falta de ar ou cansaço fora do comum. Dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa pedem pronto-socorro.

Quem quer emagrecer com ajuda de medicamento tem opções registradas na Anvisa, prescritas depois de avaliação médica, e o coração entra nessa avaliação. Em quem já tem arritmia, pressão alta ou diabetes, essa conversa pesa ainda mais.

Perder peso importa para o coração, e a segurança também

O excesso de peso é um fator de risco para o coração, e emagrecer ajuda a controlar pressão, colesterol e glicemia. É por isso que a segurança do caminho escolhido importa tanto. Perder peso com um produto sem registro e sem acompanhamento troca um risco conhecido por vários desconhecidos.

Dr. Leandro Serafim: avaliação do coração para quem quer emagrecer com segurança

O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.

Para quem pretende iniciar um tratamento para obesidade, ou já usa algum medicamento e sente o coração acelerado, a consulta avalia a pressão, a frequência cardíaca e o risco cardiovascular, e pode incluir eletrocardiograma no mesmo local, realizado pelo próprio Dr. Leandro, para investigar palpitações e alterações do ritmo.

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Dúvidas frequentes sobre retatrutida e coração

A retatrutida é aprovada no Brasil? Não. A Anvisa informou em julho de 2026 que ela é experimental, não está aprovada em nenhum país e não pode ser vendida legalmente.

A retatrutida causa infarto ou AVC? Até agora, não é possível afirmar. O estudo de fase 3 que avaliou eventos cardiovasculares não mostrou diferença clara entre o remédio e o placebo, mas era pequeno para essa pergunta. São necessários estudos maiores e mais longos.

Por que o coração acelera com a retatrutida? Nos estudos, o aumento dos batimentos foi proporcional à dose, com pico por volta da 24ª semana e queda depois. O mecanismo exato ainda é discutido.

Quando a retatrutida será liberada? A fabricante planeja pedir o registro nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2027. A aprovação depende de cada agência, e a Anvisa informou em julho de 2026 que ainda não havia pedido de registro no Brasil.

Já usei retatrutida. O que devo fazer? Contar ao médico, mesmo sem sintomas, e procurar avaliação se houver palpitação, coração acelerado em repouso, tontura ou falta de ar. Dor no peito, desmaio ou falta de ar intensa pedem pronto-socorro.

Foto de Dr Leandro Serafim

Dr Leandro Serafim

Cardiologista referência em Salvador

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