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Dr. Leandro Serafim

Check-up Cardiológico: Quais Exames Entram e de Quanto em Quanto Tempo Repetir

O check-up cardiológico não tem uma lista fixa de exames. Ele funciona como uma consulta que escolhe poucos exames conforme o seu risco. O mesmo risco define de quanto em quanto tempo repetir cada um.

Para quem está sem sintoma e sem doença, a base é simples. Ela reúne pressão, colesterol e glicemia, que o médico repete em intervalos que dependem do risco. O eletrocardiograma, o ecocardiograma e outros exames entram quando existe um motivo para pedir.

Check-up cardiológico: o que costuma entrar

O check-up começa pela consulta. O cardiologista pergunta sobre sintomas, histórico da família, alimentação, sono, atividade física, fumo e remédios. Depois mede a pressão, ausculta o coração e avalia peso e cintura.

Os exames de sangue vêm em seguida. O colesterol (LDL, não-HDL, HDL e triglicerídeos) e a glicemia formam o núcleo. A diretriz brasileira de dislipidemias de 2025 também pede a dosagem da lipoproteína(a), a Lp(a), uma vez na vida.

Com esses dados, o médico estima o risco de infarto e AVC nos próximos 10 anos. Entre 30 e 79 anos, a diretriz brasileira usa o escore PREVENT para isso. O resultado orienta quais exames fazem sentido e com que frequência.

De quanto em quanto tempo repetir cada exame

Não existe um calendário único. Os prazos abaixo vêm de diretrizes brasileiras e americanas e valem para adultos sem doença do coração conhecida.

Pressão, colesterol e glicemia

Pressão arterial: a diretriz brasileira de hipertensão de 2025 diz que, idealmente, todas as pessoas devem medir a pressão pelo menos uma vez por ano. Quem tem histórico familiar de hipertensão, idade avançada, diabetes, obesidade ou doença do coração ou do rim merece ainda mais atenção. Os valores de referência aparecem no texto sobre pressão 12 por 8.

Colesterol: a diretriz brasileira de 2025 não fixa um intervalo de rastreamento para o adulto sem tratamento. A diretriz americana de prevenção de 2019 considera razoável reavaliar os fatores de risco pelo menos a cada 4 a 6 anos, desde os 20 anos de idade. Para quem usa remédio de colesterol, a diretriz brasileira recomenda repetir o exame cerca de 4 semanas depois de começar ou de mudar a dose. Depois de atingir a meta, ela sugere repetir uma vez por ano. Os números de referência estão no texto sobre colesterol ideal.

Glicemia: a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastrear todo adulto a partir dos 35 anos, e antes disso quem tem risco aumentado. Com exames normais e menos de três fatores de risco, a repetição vem pelo menos a cada 3 anos. Com pré-diabetes, ou com exames normais e três ou mais fatores de risco, vem pelo menos uma vez por ano.

Eletrocardiograma, ecocardiograma e outros exames do coração

Eletrocardiograma: para quem está bem, não existe intervalo de rotina. A força-tarefa americana USPSTF recomenda contra o exame de rotina em adultos de baixo risco e sem sintomas. O benefício costuma ser pequeno. Além disso, um achado sem importância pode levar a novos exames. Para quem tem risco intermediário ou alto, ela diz que as provas ainda não bastam para decidir. Em quem tem hipertensão, a diretriz brasileira inclui o eletrocardiograma entre os exames da primeira consulta e do acompanhamento anual.

Ecocardiograma: não tem intervalo fixo para quem não tem doença. Ele entra quando há sintoma, sopro, alteração no eletrocardiograma ou doença que afete o coração, como pressão alta de longa data. Quem já teve infarto e está sem sintomas pode repetir o exame a cada 3 a 5 anos, segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2021.

Doppler de carótidas: procura placas de gordura nas artérias do pescoço. A diretriz de dislipidemias de 2025 explica que a placa carotídea traz informação a mais do que o escore clínico sozinho. O cardiologista pede o exame em casos escolhidos, quando saber da placa pode mudar a conduta.

Escore de cálcio coronariano: é uma tomografia que mede o cálcio nas artérias do coração, feita em serviço de imagem. A diretriz brasileira de 2025 diz que ele pode ajudar a decidir o tratamento do colesterol em quem tem risco intermediário e mais de 40 anos. Também o considera razoável para quem tem risco baixo, mais de 40 anos e histórico familiar de doença do coração precoce.

O texto sobre o que cada exame cardiológico mostra explica a função de cada um.

Quem precisa de mais do que o básico

O básico serve para quem está bem. Alguns fatores pedem uma avaliação mais próxima: pressão alta, diabetes, colesterol alterado, fumo, excesso de peso e histórico familiar de infarto ou AVC. A diretriz de dislipidemias de 2025 inclui ainda a Lp(a) alta e as doenças inflamatórias crônicas. Esses fatores podem elevar a categoria de risco da pessoa.

O diabetes merece destaque. Quem tem diabetes pode sofrer um infarto silencioso, sem a dor típica. Por isso o coração precisa de um olhar mais atento nesse grupo, como detalha o texto sobre diabetes e coração.

Quem já teve infarto, colocou stent ou fez cirurgia no coração segue outro caminho. A diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2021 recomenda reavaliação pelo menos anual para quem está sem sintomas há mais de um ano. Em cada consulta, o médico pede um eletrocardiograma.

Mais exames nem sempre significam mais proteção

A vontade de fazer todos os exames de uma vez é comum, mas a pesquisa pede cautela. Uma revisão da Cochrane de 2019 comparou pessoas que fizeram check-ups gerais com pessoas que não fizeram. Ela analisou 15 estudos com 251.891 participantes. Os check-ups gerais pouco ou nada mudaram a mortalidade total, a mortalidade por doença do coração e a ocorrência de infarto.

Esse resultado não significa que cuidar do coração não vale a pena. A revisão avaliou pacotes gerais de exames em pessoas sem seleção de risco. Ela não avaliou uma consulta em que o cardiologista mede o seu risco e trata o que encontra. Por isso este texto fala em escolher poucos exames com critério, e não em fazer todos.

O excesso também tem custo. Um achado sem importância num exame de rotina pode levar a novos exames, e alguns trazem risco próprio. A USPSTF aponta esse efeito no eletrocardiograma de adultos de baixo risco.

Sintoma não espera o check-up

Check-up é para quem está bem. Dor ou aperto no peito, falta de ar aos esforços, palpitação frequente, tontura forte e desmaio pedem consulta sem esperar o próximo exame de rotina. Dor no peito por 10 minutos ou mais pede emergência. O mesmo vale para dor que vem com falta de ar, suor frio ou desmaio. Nesses casos, ligue para o SAMU, no 192.

Antes de uma cirurgia, o caminho também é outro. A avaliação cardiológica pré-operatória considera o tipo de cirurgia e o risco do paciente.

Dr. Leandro Serafim: check-up cardiológico no Itaigara

O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.

No check-up, a consulta vem primeiro. O Dr. Leandro estima o seu risco, explica quais exames fazem sentido e quais podem esperar. Quando houver indicação, ele mesmo realiza, no mesmo local da consulta, o eletrocardiograma, o ecocardiograma e o Doppler de carótidas.

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Dúvidas frequentes sobre check-up cardiológico

Com que idade começar o check-up cardiológico? Não existe uma idade única. Pela diretriz americana de 2019, é razoável medir os fatores de risco a cada 4 a 6 anos desde os 20 anos. Para a glicemia, a Sociedade Brasileira de Diabetes recomenda rastrear todos a partir dos 35. Entre 30 e 79 anos, a diretriz brasileira de dislipidemias estima o risco com o escore PREVENT. Quem tem fator de risco ou histórico familiar começa antes.

O check-up cardiológico precisa de eletrocardiograma? Nem sempre. Em adultos de baixo risco e sem sintomas, a USPSTF recomenda contra o exame de rotina. Ele entra quando há sintoma, pressão alta ou outro motivo que o cardiologista explica na consulta.

Preciso de jejum para o check-up cardiológico? Para o colesterol, a diretriz brasileira de 2025 aceita a coleta sem jejum na avaliação inicial. Outros exames, como a glicemia de jejum, pedem preparo. O pedido médico ou o laboratório informa o jeito certo para cada exame.

É preciso fazer check-up cardiológico todo ano? Depende do risco. Para a pressão, a recomendação é medir pelo menos uma vez por ano. Para os demais exames, os prazos acima mostram que o intervalo varia. Quem tem hipertensão ou já teve infarto faz reavaliação pelo menos anual.

O que levar para a consulta do check-up cardiológico? Leve os exames anteriores, a lista dos remédios e suplementos que você usa e o histórico de doenças do coração na família. Anote também qualquer sintoma, como cansaço, falta de ar ou palpitação.

Foto de Dr Leandro Serafim

Dr Leandro Serafim

Cardiologista referência em Salvador

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