Pontada no peito do lado esquerdo assusta, porque é o lado do coração. Na maioria das vezes a causa não é o coração, mas uma parte dos casos é, e saber distinguir evita tanto o pânico quanto o descaso.
O que ajuda a separar as duas situações é o jeito como a dor aparece, o que a provoca e o que vem junto com ela.
Pontada no peito: o que os números mostram
Uma revisão de 11 estudos em consultórios de atenção primária, com cerca de 6.500 pacientes que procuraram o médico por dor no peito, mostrou de onde essa dor costuma vir. Nos estudos de melhor qualidade, as faixas foram estas.
Parede do tórax (músculos, costelas e cartilagens): de 24,5% a 49,8% dos casos, a causa mais frequente.
Doenças respiratórias: de 10,3% a 18,2%.
Causas psicogênicas, como a ansiedade: de 9,5% a 18,2%.
Doença do coração estável, como a angina: de 6,6% a 11,2%.
Estômago e esôfago: em torno de 6% a 10% cada.
Infarto ou outra síndrome coronariana aguda: de 1,5% a 3,6%.
Os autores não calcularam um número único porque os estudos são diferentes entre si, e avisam que são poucos. Mesmo assim, o padrão é claro: a dor no peito de quem procura um consultório costuma ter outra origem, e as causas graves são minoria. Isso vale para um grupo de pacientes, e não para uma pessoa específica.
Como costuma ser a dor que vem do coração
A diretriz americana de dor no peito, de 2021, descreve o desconforto de origem cardíaca como pressão, aperto, peso ou queimação, que pode se espalhar para o ombro, o braço, o pescoço, a parte alta do abdômen ou a mandíbula. A mesma diretriz pede que a dor seja descrita como cardíaca, possivelmente cardíaca ou não cardíaca, em vez de “típica” ou “atípica”.
A pontada, aquela dor aguda e localizada, não costuma ser o jeito clássico. Mas nem toda dor do coração segue o roteiro, principalmente em mulheres, em diabéticos e em idosos, o que o texto sobre dor no peito na mulher explica.
Pistas de que a pontada tem outra origem
Alguns sinais fazem o médico pensar primeiro na parede do tórax. A dor é localizada em um ponto que a pessoa consegue indicar com a ponta do dedo. Ela piora ao respirar fundo, ao torcer o tronco, ao mexer o braço ou ao apertar o local. Dura segundos ou poucos minutos e vem sem nenhuma relação com esforço.
Essas pistas ajudam, mas não descartam o coração sozinhas. Quem tem fatores de risco, como pressão alta, diabetes, colesterol alto ou histórico familiar de doença do coração, merece uma avaliação mesmo diante de uma dor com cara de muscular.
Quando a dor no peito pede mais atenção
O sinal que mais muda a conversa é a relação com o esforço. Dor ou aperto que aparece ao subir escada, caminhar rápido ou carregar peso e some com o repouso deve ser investigado, o que o texto sobre dor no peito ao subir escada detalha.
Também merecem consulta a pontada que se repete com frequência, que vem aumentando de intensidade ou que aparece em quem já tem doença do coração. A ansiedade pode causar dor no peito, mas essa explicação deve vir depois de uma avaliação, e não no lugar dela.
Sinais que pedem pronto-socorro
Dor no peito em forma de pressão ou aperto que dura mais do que alguns minutos, que se espalha para o braço, o pescoço ou a mandíbula, ou que vem com falta de ar, suor frio, náusea, tontura ou desmaio pede atendimento de urgência. Nesses casos, a orientação é chamar o SAMU (192) ou ir ao pronto-socorro, sem esperar consulta.
A diretriz americana também lembra que dor aguda no peito deve ser avaliada com rapidez, porque causas menos comuns, como embolia pulmonar, problema na aorta e inflamação do pericárdio e do músculo do coração, precisam de diagnóstico urgente.
Como o cardiologista investiga
A investigação começa pela conversa: quando a dor surgiu, quanto dura, o que a provoca, o que alivia e o que vem junto. Esses detalhes valem tanto quanto um exame.
O eletrocardiograma é um exame importante tanto na dor aguda quanto na dor que se repete, segundo a diretriz americana, mas um resultado normal entre os episódios não encerra a investigação. O ecocardiograma mostra a estrutura e o funcionamento do coração, e outros exames entram conforme cada caso.
Dr. Leandro Serafim: investigação de dor no peito no Itaigara
O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.
Para quem sente pontadas no peito e quer ter certeza de que o coração não está envolvido, a consulta pode ser acompanhada de eletrocardiograma e, quando houver indicação, de ecocardiograma no mesmo local, realizados pelo próprio Dr. Leandro. Assim, o resultado dos exames é lido junto com o que a pessoa acabou de contar na consulta.
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Dúvidas frequentes sobre pontada no peito
Pontada no peito do lado esquerdo é infarto? Na maioria dos casos, não. Nos estudos de atenção primária, o infarto e as síndromes coronarianas agudas ficaram entre 1,5% e 3,6% das dores no peito. O que pesa é o conjunto: o tipo de dor, a duração, o esforço e os fatores de risco.
Pontada que dura poucos segundos é perigosa? Dor muito curta, localizada e sem relação com esforço costuma vir da parede do tórax. Se ela se repete muito ou aparece em quem tem fatores de risco, vale conversar com o médico.
Pontada no peito ao respirar fundo pode ser do coração? Em geral, não, e costuma vir da parede do tórax ou dos pulmões. Mas causas como embolia pulmonar e inflamação do pericárdio também podem piorar com a respiração, e nesses casos a dor costuma vir com outros sinais e pede avaliação urgente.
Ansiedade causa pontada no peito? Pode, e as causas psicogênicas aparecem entre 9,5% e 18,2% dos casos nos estudos de atenção primária. Mas a ansiedade só deve ser a explicação depois de uma avaliação que afaste o coração.
Preciso fazer eletrocardiograma? Se a dor é recorrente, vem com esforço ou aparece em quem tem fatores de risco, o eletrocardiograma costuma fazer parte da avaliação. A indicação é do médico.






