Infarto em jovens existe. Ele é menos frequente do que em pessoas mais velhas, mas não é raro.
E a ideia de que infarto é coisa de gente mais velha atrapalha justamente quem mais poderia se prevenir, porque o cuidado só começa quando o problema já apareceu.
Infarto em jovens: o que os números mostram
Um estudo de um centro cardiológico no Bahrein acompanhou 510 pacientes com infarto grave tratados com angioplastia entre 2018 e 2020. Desses, 95, ou 18%, tinham 45 anos ou menos. Ou seja, quase um em cada cinco.
É um estudo de um único hospital, em outro país, e por isso os números exatos não valem automaticamente para o Brasil. O que importa é o padrão, que os pesquisadores compararam entre os jovens e os pacientes mais velhos.
Os três fatores que mais se destacam
O que chama atenção é a comparação: esses três apareceram com mais frequência entre os jovens do que entre os pacientes mais velhos do mesmo estudo.
Cigarro. Entre os jovens, 57,9% fumavam, contra 40,5% dos mais velhos. Em outras séries de hospitais de países diferentes, o cigarro também aparece como o fator mais comum entre jovens com infarto, e ele é o mais evitável da lista.
Colesterol alto que ninguém sabia que existia. Em 41,1% dos jovens, o colesterol alterado foi descoberto só durante o infarto, contra 25,5% dos mais velhos. Isso acontece porque quem se sente bem raramente mede o colesterol, e a alteração não dá sintoma.
Histórico familiar de doença do coração em idade precoce. Ele estava presente em 14,7% dos jovens, contra 4,3% dos mais velhos. Vale perguntar em casa se algum parente próximo teve infarto, AVC ou morte súbita cedo, porque essa informação muda a leitura do risco.
Os autores resumem o achado dizendo que os jovens com esse tipo de infarto são, com mais frequência, fumantes com colesterol alto não diagnosticado e com histórico familiar de doença coronariana.
Pressão e diabetes não bastam para tranquilizar
Um detalhe chama atenção: pressão alta e diabetes foram menos frequentes entre os jovens (28,4% e 31,6%) do que entre os mais velhos (64,1% e 49,4%). Isso não quer dizer que sejam inofensivos nessa idade, e sim que ter pressão e glicemia normais não basta para afastar o risco quando existem os outros fatores.
Em uma minoria de casos, a causa nem é o entupimento clássico das artérias. O uso de cocaína e de anabolizantes, por exemplo, também está ligado a infarto em pessoas jovens.
Por que o alerta costuma chegar tarde
Dor no peito em quem tem 30 ou 40 anos costuma ser atribuída a ansiedade, esforço ou gastrite, e, na maioria das vezes, é mesmo. O problema é que esse hábito de explicar o sintoma de outra forma pode atrasar a investigação quando o padrão é de coração, como aperto no peito que vem com esforço, falta de ar ou suor frio. Esse tipo de sintoma já foi explicado no texto sobre dor no peito na mulher, e vale também lembrar que nem todo infarto dá dor, como mostra o artigo sobre infarto sem dor no peito.
O que fazer antes que seja tarde
Parar de fumar é a medida com maior efeito, porque o cigarro é o fator mais frequente e também o mais evitável. Medir o colesterol ao menos uma vez na vida adulta jovem, e repetir conforme a orientação médica, transforma um risco invisível em um número que pode ser tratado.
Perguntar à família sobre infarto, AVC e morte súbita precoce também faz parte da conta. E nenhum sintoma de coração deve ser descartado só porque a pessoa é jovem: dor ou aperto no peito com esforço, falta de ar fora do habitual, suor frio ou desmaio merecem avaliação, e quando são intensos pedem pronto-socorro, sem esperar consulta.
Dr. Leandro Serafim: avaliação de risco cardiovascular no Itaigara
O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.
Para o jovem adulto que fuma, tem histórico familiar de doença do coração ou nunca mediu o colesterol, a consulta organiza o risco de forma concreta: histórico da família, hábitos, pressão e exames de sangue, além de eletrocardiograma no mesmo local, realizado pelo próprio Dr. Leandro, quando houver indicação. A conversa serve para sair do consultório com um plano, e não só com um exame.
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Dúvidas frequentes sobre infarto em jovens
Jovem pode mesmo ter infarto? Pode. Em um estudo de um centro cardiológico, 18% dos pacientes com infarto grave tinham 45 anos ou menos. É menos comum do que em pessoas mais velhas, mas não é raro.
Quais fatores de risco mais se destacam em jovens? Cigarro, colesterol alto sem diagnóstico e histórico familiar de doença do coração em idade precoce apareceram com mais frequência do que nos pacientes mais velhos do estudo. Pressão alta, diabetes, obesidade e sedentarismo também contam.
Dor no peito em jovem costuma ser do coração? Na maioria das vezes não, e a causa é muscular, digestiva ou emocional. Mas dor com esforço, falta de ar, suor frio ou desmaio precisa ser investigada, independentemente da idade.
Quando devo medir o colesterol? As diretrizes recomendam medir já na vida adulta jovem e repetir periodicamente. Quem tem histórico familiar ou outros fatores de risco costuma precisar começar mais cedo, e o cardiologista define o melhor momento.
Parar de fumar reduz o risco de infarto? Sim. O risco diminui com o tempo depois que a pessoa para de fumar, e por isso essa é a mudança com mais impacto.






