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Dr. Leandro Serafim

Desmaio: Como Separar um Susto Passageiro de um Problema no Coração

Desmaiar assusta, mesmo quando tudo volta ao normal em poucos segundos, e a primeira dúvida costuma ser sempre a mesma: um desmaio pode ser problema no coração?

Na maioria das vezes, a resposta é não. A maior parte dos desmaios tem causa benigna e passageira. Mas uma parcela vem do coração, e a diferença entre as duas situações aparece menos no desmaio em si e mais nas circunstâncias que vieram antes dele.

O que acontece no corpo durante um desmaio

O desmaio, que os médicos chamam de síncope, é uma perda de consciência breve causada por uma queda temporária do fluxo de sangue para o cérebro. A pessoa apaga, cai e se recupera sozinha, sem precisar de nenhuma manobra.

Esse fluxo pode cair por três caminhos principais: um reflexo do sistema nervoso que dilata os vasos e desacelera o coração, uma queda de pressão ao ficar em pé, ou um problema do próprio coração, como uma arritmia ou uma alteração estrutural. Os dois primeiros são os mais comuns. O terceiro é o que mais precisa ser descartado.

Desmaio pode ser problema no coração? O que as circunstâncias revelam

A diretriz europeia de síncope, de 2018, organiza o raciocínio em torno de uma ideia simples: as circunstâncias do desmaio dizem muito sobre a causa. Três grupos de pistas ajudam a organizar a conversa com o médico.

Pistas que apontam para o coração. O desmaio aconteceu durante um esforço ou com a pessoa deitada. Uma palpitação de início súbito veio logo antes de apagar. Existe histórico na família de morte súbita inexplicada em pessoa jovem, ou a pessoa já tem doença cardíaca ou nas artérias do coração. Ou o eletrocardiograma mostra alterações que sugerem arritmia.

Pistas que apontam para um desmaio reflexo. O episódio veio depois de uma visão, um cheiro, um som ou uma dor desagradável, de ficar muito tempo em pé, durante uma refeição ou em um lugar cheio e quente. Antes de apagar, houve palidez, suor ou enjoo. Não existe doença cardíaca, e o histórico de desmaios parecidos começou antes dos 40 anos.

Pistas que apontam para queda de pressão ao levantar. O desmaio aconteceu ao se levantar ou logo depois, depois de muito tempo em pé, ao ficar em pé depois de um esforço ou depois de comer. Também vale prestar atenção se começou ou mudou a dose de algum remédio que baixa a pressão, como os diuréticos, ou se existe doença que afeta o sistema nervoso autônomo, como o Parkinson.

Nenhuma dessas pistas fecha diagnóstico sozinha, e muita gente reconhece sinais de mais de um grupo. Elas servem para organizar a conversa com o cardiologista e para indicar com que urgência investigar.

O que fazer logo depois de um desmaio

Primeiro, convém ficar deitado ou sentado por alguns minutos e levantar devagar, porque levantar rápido logo depois pode provocar um novo desmaio. Beber água e comer algo leve ajuda se a causa foi calor, jejum ou desidratação.

Depois, vale registrar o que aconteceu enquanto a memória está fresca: o que a pessoa estava fazendo, quanto tempo durou, o que sentiu antes e depois e se já aconteceu antes. Quem presenciou também precisa contar o que viu, porque o relato de testemunhas faz parte da avaliação médica.

Algumas situações pedem atendimento de urgência, sem esperar consulta: desmaio com dor no peito, falta de ar ou palpitação intensa, desmaio durante exercício, ferimento importante na queda, confusão que não passa ou mais de um desmaio em curto intervalo. Nesses casos, o caminho é o pronto-socorro.

Como o cardiologista investiga

A avaliação inicial recomendada pela diretriz tem três partes: uma conversa detalhada sobre este e outros episódios, incluindo o relato de quem presenciou, um exame físico com a pressão medida deitado e em pé, e um eletrocardiograma. Só com isso já é possível separar boa parte dos casos benignos dos que merecem uma investigação mais profunda.

O ecocardiograma entra quando há suspeita de doença estrutural do coração, como uma alteração de válvula ou um sopro que precise de esclarecimento. E quando existe suspeita de arritmia, principalmente com palpitação antes do desmaio, o médico pode pedir monitorização do ritmo por mais tempo. Se o desmaio aconteceu durante ou logo depois de um exercício, o teste de esforço também pode ser indicado, e o teste de inclinação ajuda a investigar desmaios de causa reflexa.

Um desmaio só, e agora?

Um episódio isolado, com gatilho claro e recuperação rápida, costuma ter causa benigna. Mesmo assim, vale uma avaliação médica para confirmar, principalmente quando existem fatores de risco, doença cardíaca conhecida ou qualquer pista do grupo cardíaco.

Enquanto a causa não é esclarecida, o cardiologista costuma orientar cuidado com atividades em que um novo desmaio seria perigoso, como dirigir ou trabalhar em altura.

Dr. Leandro Serafim: investigação de desmaio no Itaigara

O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.

Para quem desmaiou e quer saber se o coração tem alguma relação com isso, a consulta pode incluir eletrocardiograma e, quando houver indicação, ecocardiograma no mesmo endereço, realizados pelo próprio Dr. Leandro. Vale levar o relato de quem viu o episódio, a lista de medicamentos em uso e os exames anteriores, porque são essas informações que dão sentido ao resultado dos exames.

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Dúvidas frequentes sobre desmaio e coração

Desmaio é sempre sinal de problema no coração? Não. A maior parte tem causa benigna, como um reflexo do sistema nervoso ou uma queda de pressão ao levantar. Mesmo assim, a causa cardíaca precisa ser descartada, porque é a que mais exige cuidado.

Desmaio durante exercício é mais preocupante? Sim. Desmaiar durante um esforço está entre as pistas que a diretriz associa a causa cardíaca, e por isso merece avaliação sem demora.

Quase desmaiar, com tontura e visão escura, também conta? Pode ter as mesmas causas. Quando se repete ou vem junto com palpitação, falta de ar ou dor no peito, vale investigar do mesmo jeito.

Preciso ir ao pronto-socorro depois de desmaiar? Se houve dor no peito, falta de ar, palpitação intensa, ferimento importante, confusão que não passa ou desmaio durante exercício, sim. Se foi um episódio isolado e a pessoa se recuperou bem, o ideal é procurar avaliação médica em breve.

Posso continuar dirigindo? Até a causa ser esclarecida, o cardiologista costuma orientar cautela com atividades em que um novo desmaio seria perigoso. Vale perguntar ao médico no seu caso.

Foto de Dr Leandro Serafim

Dr Leandro Serafim

Cardiologista referência em Salvador

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