Ela sempre fez os mesmos exames de rotina, todo ano, e o resultado nunca mudava muito. Colesterol controlado, pressão estável. Depois da menopausa, no exame seguinte, o colesterol tinha subido, e a pressão também. Nada tinha mudado na alimentação. O que mudou foi a fase da vida.
Isso acontece com muita frequência, e tem explicação.
Por que a menopausa afeta o coração
Até a menopausa, o estrogênio produzido pelo corpo ajuda a manter as artérias mais flexíveis e contribui para um perfil de colesterol mais favorável. É uma proteção natural que atua nos bastidores, sem que a mulher perceba.
Quando a produção desse hormônio cai, essa proteção diminui junto. O colesterol LDL, aquele associado a maior risco cardiovascular, tende a subir. A pressão arterial também pode se tornar mais sensível a fatores que antes não faziam tanta diferença.
O que costuma mudar nos exames
Não é incomum uma mulher chegar à consulta dizendo que “sempre teve exames perfeitos” e se surpreender com um resultado diferente depois da menopausa.
Colesterol total e LDL mais altos, triglicerídeos em elevação e pressão arterial levemente maior estão entre as mudanças mais comuns nesse período. Também é frequente uma redistribuição de gordura corporal, com mais acúmulo na região do abdômen, o que também está relacionado a maior risco cardiovascular.
Nenhuma dessas mudanças, isoladamente, significa doença. Mas juntas, merecem um olhar mais atento do que antes.
Perimenopausa já conta
Essas mudanças não esperam a menopausa se instalar por completo. Elas costumam começar a aparecer ainda na perimenopausa, o período de transição que pode durar alguns anos antes da última menstruação.
Por isso, o acompanhamento cardiovascular não precisa esperar a menopausa “estar confirmada” para fazer sentido. Faz sentido começar antes.
E a reposição hormonal, interfere no coração?
Essa é uma dúvida frequente, e a resposta não é simples nem igual para todas as mulheres.
A relação entre terapia de reposição hormonal e risco cardiovascular depende de fatores como idade, tempo desde a menopausa, tipo de hormônio e presença de outros fatores de risco. Por isso, essa decisão costuma envolver tanto o ginecologista quanto uma avaliação cardiovascular, e não deveria ser tomada isoladamente por nenhum dos dois lados.
Quem já usa ou está considerando reposição hormonal pode se beneficiar de uma avaliação cardiológica conjunta, principalmente se já existir outro fator de risco associado.
O que passa a valer a pena acompanhar
Depois da menopausa, alguns cuidados ganham peso: acompanhar colesterol e pressão arterial com mais regularidade, prestar atenção ao ganho de peso na região do abdômen, e não tratar consultas de rotina como dispensáveis só porque não existe queixa no momento.
Vale lembrar também que os sintomas cardíacos, quando aparecem, costumam se manifestar de forma diferente na mulher, um ponto já explorado em detalhe neste blog.
Dr. Leandro Serafim: acompanhamento cardiovascular da mulher no Itaigara
O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.
Para mulheres na perimenopausa ou na menopausa que querem entender como essa fase está impactando o coração, consulta e exames como eletrocardiograma e ecocardiograma podem ser feitos no mesmo endereço, o que facilita reunir esse retrato completo em um só lugar.
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Dúvidas frequentes sobre menopausa e coração
A menopausa aumenta o risco cardiovascular de qualquer mulher? Ela está associada a um aumento médio do risco, principalmente pela queda do estrogênio, mas o impacto individual depende também de outros fatores de risco presentes.
Em quanto tempo essas mudanças aparecem? Podem começar ainda na perimenopausa, antes da última menstruação, e não necessariamente de forma repentina.
Reposição hormonal faz mal para o coração? Depende do contexto individual. Por isso, essa decisão costuma envolver avaliação cardiovascular além da consulta ginecológica.
Preciso fazer exames do coração mesmo sem sintomas na menopausa? Sim, o acompanhamento de rotina ganha importância nessa fase, mesmo sem queixas.
Toda mulher ganha peso na menopausa? Não todas, mas é comum haver redistribuição de gordura corporal, com mais acúmulo abdominal, o que também interessa à saúde cardiovascular.






