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Dr. Leandro Serafim

Anticoncepcional Faz Mal ao Coração? Três Situações em Que a Resposta Muda

Anticoncepcional faz mal ao coração? Para a maioria das mulheres jovens e saudáveis, o risco cardiovascular é pequeno, mas ele existe e não é igual para todas.

O que muda a resposta é o histórico de cada mulher, e três situações pesam mais do que o resto: cigarro depois dos 35 anos, pressão alta e enxaqueca com aura.

Anticoncepcional faz mal ao coração? O que os estudos mostram sobre trombose

A trombose venosa é a formação de um coágulo em uma veia, em geral nas pernas, que pode se soltar e chegar ao pulmão. Os anticoncepcionais combinados, que levam estrogênio e progestágeno, aumentam esse risco, e isso está bem documentado.

Uma revisão publicada no BMJ em 2013, com 26 estudos, encontrou que o uso desses comprimidos multiplicava o risco de trombose venosa por cerca de 3,5 em comparação com quem não usava. Nas mulheres que não usavam, a ocorrência foi de 1,9 e 3,7 casos por 10.000 mulheres por ano, segundo duas coortes. Pela minha conta, isso equivale a algo entre 7 e 13 casos por 10.000 mulheres por ano com o comprimido. É um aumento real, mas em um evento que continua pouco frequente.

O tipo de pílula também contava. As combinações com 30 a 35 microgramas de etinilestradiol e gestodeno, desogestrel, ciproterona ou drospirenona tiveram risco cerca de 50% a 80% maior do que as combinações com levonorgestrel, e doses maiores de estrogênio se associaram a mais risco.

E o risco de infarto e AVC?

Para as artérias, uma revisão da Cochrane de 2015, com 24 estudos de mulheres com menos de 50 anos, encontrou risco cerca de 1,6 vez maior de infarto ou AVC por entupimento entre quem usava o comprimido combinado. O aumento foi parecido para infarto (1,6) e para AVC (1,7).

O risco parecia crescer com a dose de estrogênio, e foi maior com pílulas de mais de 50 microgramas. Não houve diferença clara entre os tipos de progestágeno. Os autores consideraram a combinação de levonorgestrel com 30 microgramas de estrogênio a opção oral mais segura ao juntarem esses dados aos de trombose venosa, e classificaram a qualidade da evidência como moderada.

A revisão não apresenta números absolutos. Em mulheres jovens e saudáveis, infarto e AVC são eventos raros, de modo que um aumento relativo de 60% representa poucos casos a mais. O quadro muda quando outros fatores de risco entram na história.

Três situações em que a resposta muda

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC) atualizou em 2024 os critérios de elegibilidade para contraceptivos. A categoria 3 significa que o uso geralmente não é recomendado, a não ser que outros métodos não estejam disponíveis ou aceitáveis. A categoria 4 significa que o uso não deve ocorrer, por risco inaceitável à saúde.

Cigarro depois dos 35 anos. Para fumantes com menos de 35 anos, o comprimido combinado geralmente pode ser usado (categoria 2). Depois dos 35, quem fuma menos de 15 cigarros por dia entra na categoria 3, e quem fuma 15 ou mais entra na categoria 4.

Pressão alta. A pressão alta controlada com remédio entra na categoria 3, a mesma classificação de valores entre 140 por 90 e 159 por 99. Pressão a partir de 160 por 100 entra na categoria 4. Vale conferir também a pressão 12 por 8 e a nova classificação, porque medir corretamente faz diferença nessa avaliação, e o texto sobre pressão alta explica quando procurar o cardiologista.

Enxaqueca com aura. A aura é o conjunto de sintomas que aparecem antes da dor de cabeça, como luzes, pontos brilhantes ou formigamento. Para esse quadro, o CDC classifica o comprimido combinado na categoria 4, enquanto a enxaqueca sem aura fica na categoria 2.

Outras situações pesam ainda mais: histórico de trombose, doença das artérias do coração, AVC, diabetes com complicações nos vasos e vários fatores de risco cardiovascular somados entram nas categorias 3 ou 4, conforme o caso.

Quem decide é o ginecologista, e o cardiologista ajuda a medir o risco

A escolha do método contraceptivo é uma conversa com o ginecologista, e existem métodos sem estrogênio. O que a consulta cardiológica acrescenta é a medida correta da pressão, a verificação do colesterol e da glicemia, e o levantamento do histórico familiar de trombose e de infarto em idade precoce. Com isso, fica claro se existe algum fator que pese contra o estrogênio.

O mesmo raciocínio vale para o hormônio da menopausa, que o texto sobre reposição hormonal e trombose explica com os números de um grande estudo.

Sinais que pedem pronto-socorro

Inchaço e dor em uma perna só, falta de ar de início súbito, dor no peito, dor de cabeça muito forte e diferente do habitual, fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou alteração súbita da visão pedem atendimento de urgência. Vale avisar a equipe que a mulher usa anticoncepcional.

Quem usa o comprimido e se enquadra em alguma das situações acima não deve interromper por conta própria. O ideal é conversar com o ginecologista antes de parar ou trocar, para não ficar sem método contraceptivo no intervalo.

Dr. Leandro Serafim: avaliação do risco cardiovascular da mulher no Itaigara

O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.

Para a mulher que usa ou pretende usar anticoncepcional e tem pressão alta, fuma, tem histórico familiar de trombose ou de infarto cedo, a consulta organiza esse risco. Quando houver indicação, o eletrocardiograma e o ecocardiograma podem ser feitos no mesmo local, realizados pelo próprio Dr. Leandro, e o resultado vai para a conversa com o ginecologista.

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Dúvidas frequentes sobre anticoncepcional e coração

Anticoncepcional causa trombose? Aumenta o risco, e isso está bem documentado nos estudos. O aumento é relativo: em números absolutos, a trombose continua sendo um evento pouco frequente em mulheres jovens e saudáveis.

Pílula com menos estrogênio é mais segura? Nos estudos, doses maiores de estrogênio se associaram a mais risco, tanto de trombose quanto de infarto e AVC. A escolha do tipo de pílula é feita com o ginecologista, de acordo com o histórico de cada mulher.

Mulher com pressão alta pode usar anticoncepcional combinado? Pelos critérios do CDC, a pressão alta controlada entra na categoria 3, e valores a partir de 160 por 100 entram na categoria 4. A decisão depende do conjunto da história e é do ginecologista, com apoio do cardiologista.

Enxaqueca contraindica o anticoncepcional? A enxaqueca com aura é a situação de maior preocupação, e o CDC a classifica na categoria 4 para o comprimido combinado. A enxaqueca sem aura entra na categoria 2.

Quem fuma pode usar anticoncepcional? Para fumantes com menos de 35 anos, geralmente sim. Depois dos 35, o comprimido combinado passa a ser desaconselhado, e para quem fuma 15 ou mais cigarros por dia não deve ser usado.

Foto de Dr Leandro Serafim

Dr Leandro Serafim

Cardiologista referência em Salvador

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