A cirurgia estava marcada. Nenhum problema no coração, nenhuma queixa, nenhum motivo aparente para preocupação. Ainda assim, o cirurgião pediu uma avaliação cardiológica antes de liberar a data.
A reação mais comum é a estranheza: “mas eu não tenho nada no coração”.
E, na maioria das vezes, realmente não tem. A avaliação pré-operatória não existe porque alguém desconfia de um problema. Ela existe para confirmar que o coração está preparado para o que a cirurgia e a anestesia vão exigir dele.
O que é a avaliação cardiológica pré-operatória?
É uma consulta, com ou sem exames complementares, feita antes de uma cirurgia para estimar o risco cardiovascular do procedimento e da anestesia.
O objetivo não é encontrar doença onde não existe. É reunir informações suficientes para que o anestesista e o cirurgião conduzam a cirurgia com segurança, sabendo exatamente com que tipo de coração estão trabalhando.
Por que o cirurgião pede isso mesmo sem sintoma cardíaco
Cirurgia e anestesia colocam o coração diante de um esforço que a rotina do dia a dia normalmente não exige: variações de pressão, mudanças no volume de sangue circulante, medicações que interferem no sistema cardiovascular.
Um coração sem nenhuma queixa no cotidiano pode, ainda assim, se beneficiar de uma avaliação prévia, principalmente dependendo da idade do paciente, do porte da cirurgia e de fatores de risco associados.
Quem tem mais chance de precisar dessa avaliação
Idade mais avançada, hipertensão, diabetes, histórico de problema cardíaco anterior e cirurgias de maior porte costumam aumentar a chance de essa avaliação ser solicitada.
Cirurgias menores, em pacientes mais jovens e sem fatores de risco, tendem a exigir uma avaliação mais simples. Já procedimentos maiores, em pacientes com mais idade ou com alguma condição cardiovascular conhecida, costumam pedir uma investigação mais completa.
O que costuma ser avaliado
A avaliação geralmente começa por uma consulta detalhada, levantando histórico de saúde, medicações em uso e fatores de risco.
A partir daí, o cardiologista decide se são necessários exames complementares. O eletrocardiograma costuma ser solicitado com frequência, por ser rápido e informativo. Dependendo do caso, o ecocardiograma também pode entrar, principalmente quando existe suspeita de alguma alteração estrutural do coração.
Nem toda avaliação pré-operatória exige os mesmos exames. Isso depende do risco individual e do tipo de cirurgia.
Quanto tempo antes da cirurgia deve ser feita
O ideal é procurar essa avaliação assim que a data da cirurgia é definida, e não na última semana.
Isso dá tempo suficiente para realizar os exames necessários, receber os resultados e, se for o caso, ajustar alguma conduta antes do procedimento, sem colocar a data da cirurgia em risco por atraso na liberação.
E se o exame mostrar alguma alteração?
Encontrar uma alteração não significa, automaticamente, que a cirurgia será cancelada.
Na maioria dos casos, significa que o cardiologista vai orientar algum cuidado adicional, ajustar uma medicação ou simplesmente documentar aquela informação para o anestesista levar em conta durante o procedimento. Cancelamento é a exceção, reservada para situações em que o risco realmente precisa ser resolvido antes de qualquer coisa.
Dr. Leandro Serafim: avaliação pré-operatória no Itaigara
O Dr. Leandro Serafim é cardiologista com RQE e mais de 20 anos de experiência, atendendo em consulta particular no Itaigara, em Salvador.
Como quem está prestes a operar geralmente lida com prazo apertado, poder fazer consulta, eletrocardiograma e ecocardiograma no mesmo endereço ajuda a resolver essa etapa sem precisar percorrer clínicas diferentes até a data marcada.
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Dúvidas frequentes sobre avaliação cardiológica pré-operatória
Toda cirurgia exige avaliação cardiológica antes? Não necessariamente. Depende da idade do paciente, do porte da cirurgia e da presença de fatores de risco.
Quanto tempo antes da cirurgia devo procurar o cardiologista? Assim que a data for definida, para dar tempo de fazer os exames necessários sem correria de última hora.
A avaliação sempre pede exames complementares? Nem sempre. Em alguns casos, a consulta e o histórico já são suficientes. Em outros, eletrocardiograma ou ecocardiograma são solicitados.
Encontrar uma alteração no exame cancela a cirurgia? Na maioria das vezes, não. Geralmente resulta em algum cuidado adicional ou ajuste, não em cancelamento.
Quem já tem pressão alta ou diabetes precisa de uma avaliação mais completa? Costuma precisar, sim, já que esses fatores aumentam o risco cardiovascular relacionado à cirurgia e à anestesia.







